Peguei no caderno que estava atirado há muito dentro de uma gaveta vazia. A caneta deslizando pelo papel pautado, como se estivesse sob o controlo da minha mente, escrevia suavemente. Surgiu por entre os quadrados impressos do papel limpo e com cheiro a novo, uma lista de pessoas que já tiveram uma q.b. de importância na minha vida. Um nome, dois nomes, três... e a caneta teimava em continuar a deslizar. A caneta hesitou. Entre todos esses nomes houve um que despertou a minha atenção. Duas dúzias de nomes riscados numa folha de papel, mas tu... tu captas-te a minha atenção.
Lembrei-me de ti. Recordei-te com ternura, ou talvez deve-se dizer "saudade". Sempre achei que as pessoas entram nas nossas vidas com uma missão. Um objectivo. Umas dão-nos a felicidades, outras as tristezas. Mas no fim da história tiramos sempre alguma coisa. Algo que aprendemos. Acredito por isso mesmo, que por ter concluído a missão, nós tenhamos seguido caminhos diferentes a partir daí. Chamo-lhe caminhos paralelos. Caminhamos para a mesma direcção lado a lao, porém, nunca nos encontramos.
Dei o meu melhor, não podes negá-lo. Ainda tenho as tuas fotografias guardadas numa gaveta. Na dita gaveta onde guardo todo o meu passado, porque é isso mesmo, é algo há muito arrumado. Raramente a abro, porque sei que ao faze-lo, vão surgir sentimentos que, como as fotografias, estão cobertos de pó. A saudade vai querer falar. Vou escrever 20 vezes a mesma mensagem e apagá-la de novo sem nunca a enviar. Cobardia. Lucidez.
Sim. Tenho saudades tuas. Saudades de ti. Tenho saudades do que eras e não do que te tornas-te. Das mensagens lamechas. - Frases feitas. Palavras vazias e cheias de sentimento nenhum. É apenas isso que consigo ver neste momento. - Dos nossos lanches ao fim da tarde no café de sempre e das horas que passávamos lado a lado sentadas no banco daquela praça vazia. Partilhávamos. Escutava-te. Era assim, todos os dias àquela hora.
Os teus olhos azuis, brilhavam. Limitava-me apenas a escutar-te e a observar os teus olhos doces com forma de ameixas, porque não era apenas a boca que falava.
Dei-te tudo. Atirei-me tantas vezes de cabeça por tua causa e tu nem deste conta. Nunca te intitulei com "MELHOR", mas sabias perfeitamente que tinha bastantes expectativas em relação a ti. Ainda assim, nunca pedi. Nunca exigi nada de ti. Queria apenas que fosses tu, em estado puro. Depois, a missão foi ficando concluída. Os sorrisos, os abraços foram desaparecendo aos poucos. Os telefonemas eram evitados e as mensagens eram escassas e frias. Afastávamo-nos a cada instante, a cada momento. Como disse, todos temos uma missão ao entrar na vida de alguém. A minha, simplesmente terminou nesse momento.
está tão bonito! amei mesmo, sentimental e comovente.
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